27 outubro, 2006

Inverna-me.

Adoro a chuva.
São em noites como esta em que chove sem parar, que as palavras parecem fluir com mais facilidade. Não sei se é pela melodia que a chuva provoca ao bater nos vidros, não sei se é por me lembrar os dias frios, apenas sei que gosto e muito.
Consigo imaginar uma noite de chuva como esta, uma noite não muito fria, mas o suficiente para ter que me agarrar a ti para me sentir quente.
Vejo-nos a passear pela cidade deserta. Vamos andando por entre poças de água e candeeiros de rua.
Nós os dois de mãos dadas, debaixo do meu guarda-chuva vermelho. As nossas mãos unem-se, como nunca se uniram antes.
Tu sorris. Oh, gosto tanto quando esboças um sorriso.
Fazemos mimos e carícias apenas. Nada de falar, nada de estragar o momento com palavras (mesmo que fossem as mais belas do mundo).
Silêncio. (o nosso silêncio)
Mas diz-me, não será este silêncio, a maior, a mais verdadeira, a mais sentida e a mais intensa das palavras?

01 outubro, 2006

Apontamento #1

É contigo que me imagino com 70 anos, numa sala de cortinados encarnados já gastos pelo sol, sentada num sofá de pele preto a fazer palavras cruzadas e nos dias mais frios de Inverno, vejo-me a aconchegar-te as pernas com uma manta verde escura de algodão.
Nesta altura, sei que o amor verdadeiro existe e sorrio.
Sorrio, porque tenho o prazer de o partilhar contigo diáriamente...
E para sempre.


Carlota R.